60.

Destino do Inquieto:
o comer do conhecimento
o vômito da angústia
o buscar do remédio
o veneno alcançado
na mesa
lê, vê, crê, relê, revê, recrê
rerelê, rerevê, não crê
ah, a ignorância!
Saudades do cotidiano constante...
Inconstância do Inquieto

59.

Ninguém, amor
Me fez tão bem assim, a ponto de ser tão ruim
A dor de ter um fim

Alta é como ouço a lembrança dos momentos em que a ti recorri quando precisei ouvir um monte de palavras ou apenas algumas. Somente uma ou nenhuma, o som do respirar. É duro notar que antes samba agora é choro.

É o que faço toda vez que nas pequenas coisas encontro a ti. E não são em esparsos momentos, constantes de lágrimas e lamentos a que me resumi. Todo minuto eu lembro de nós e esqueço de mim.

É duro não saber o que sentes. Estás indiferente, melhor? Não sei o que seria pior. Talvez se sentisses a dor que me persegue em cada lugar que vou e já passei contigo, se revisses tão claramente as pequenas coisas que eu fiz, como revejo as tuas, e se sentisses. Como é difícil ainda te sentir.

O cheiro, que não acaba, não muda, é igual em tudo, em todos, todos têm teu perfume. E eu.

Como posso esquecer algo que insiste em lembrar-se vivo e manter-se aqui comigo, mesmo estando longe? Como posso ao menos tentar, se ao fechar os olhos ainda enxergo, se ao prender o ar ouço um coração, que ainda bate por piedade de um corpo falido, esquecido, largado em estado deplorável. E bate constante forte de esperança, pintada a cada lembrança. Como se adiantasse. Isso de lembrar.

Se pudesse rastejaria mais, imunda já estou. Diante dos teus pés imploro, mas... o que há de se implorar?

Amor, eras fiel, eras meu mais intenso sentimento, o único concreto e palpável, que embora não mais o toque, ainda sinto. Talvez não haja mais o que pedir a alguém que me deu tudo o que tive e tudo aquilo o que nunca mais terei. Tiraste-me a vida concedendo-me-a. Agora que partiste, ainda a tenho? O que me resta de vivo é a tua lembrança, talvez por isso a frequência, caso contrário a respiração cessa e a mente para de reproduzir aqueles tão intensos momentos. Ah, como seria melhor.

Pensei ser para sempre e não me engano nessa parte que é a que me corrói a cada um daqueles momentos de remomentos. És para sempre, sendo que na dor meu amor não morre, sobrevive e se alimenta do que me alimento, tirando-me o sono, a vida e deixando em troca o sofrimento. Que não morre, que não morre, que não morre. Por mais que eu implore.

Por mais que implores, não hei de esquecer-te e não mais me peças essa tão impossível tarefa.

Morreria ao te esquecer.