"Pra onde você vai?"
"Pra lá... não sei, pra cá. Pensar... ah, me deixa um pouco."
"E quantos tomou hoje?"
"Nenhum."
"Por isso."
"Não é, não preciso."
"Então por que a agonia? O buraco que tá abrindo no chão é algo..."
(estrondo da porta, segundos e ela se abre de novo)
"E antes que eu vá, vá você pra puta que te pariu!"
Fui mesmo até minha mãe, não que ela seja puta, nem sei, apenas me pariu.
"E foi, assim. Bem, digamos, irritada."
"E depois de quê? Discussões? Uma briga?"
"Eu disse que a amava. Como se reage a isso?"
"Assim mesmo."
"Não foi isso o que imaginei."
"Sabe, (deu-me um chá, sabe que adoro chá.) é mais dificil ouvir a palavra amor, do que falar. É tão indigesto quanto uma broa de milho com pimenta e páprica, ao café-da-manhã"
"Devia eu ter dito aquilo à noite?"
"Devias tu dar a ela um belo chá de boldo. É bom. Pra digerir."
Voltei. Não mais de dez minutos depois ela estava de volta. A chave virou e produziu o barulho característico de destrave. Ela entrou, sentou à mesa. Segurava um lenço. Apenas me olhou. Eu me afastei e cheguei perto do fogão, pus a água a ferver.
Demorou. Uns três minutos e a água borbulhava. Era a hora, ia dizer:
"Quer chá?"
Ela sorriu. Bebeu ao mesmo tempo que me fitava. Apenas um obrigada. O melhor obrigada possível.
Acho que deu certo.
O chá de boldo.
"Pra lá... não sei, pra cá. Pensar... ah, me deixa um pouco."
"E quantos tomou hoje?"
"Nenhum."
"Por isso."
"Não é, não preciso."
"Então por que a agonia? O buraco que tá abrindo no chão é algo..."
(estrondo da porta, segundos e ela se abre de novo)
"E antes que eu vá, vá você pra puta que te pariu!"
Fui mesmo até minha mãe, não que ela seja puta, nem sei, apenas me pariu.
"E foi, assim. Bem, digamos, irritada."
"E depois de quê? Discussões? Uma briga?"
"Eu disse que a amava. Como se reage a isso?"
"Assim mesmo."
"Não foi isso o que imaginei."
"Sabe, (deu-me um chá, sabe que adoro chá.) é mais dificil ouvir a palavra amor, do que falar. É tão indigesto quanto uma broa de milho com pimenta e páprica, ao café-da-manhã"
"Devia eu ter dito aquilo à noite?"
"Devias tu dar a ela um belo chá de boldo. É bom. Pra digerir."
Voltei. Não mais de dez minutos depois ela estava de volta. A chave virou e produziu o barulho característico de destrave. Ela entrou, sentou à mesa. Segurava um lenço. Apenas me olhou. Eu me afastei e cheguei perto do fogão, pus a água a ferver.
Demorou. Uns três minutos e a água borbulhava. Era a hora, ia dizer:
"Quer chá?"
Ela sorriu. Bebeu ao mesmo tempo que me fitava. Apenas um obrigada. O melhor obrigada possível.
Acho que deu certo.
O chá de boldo.
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